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A
Campos Elíseos
é um
dos
"solares da região cafeeira do Brasil Imperial"


A
atual sede da Fazenda Campos Elíseos, então denominada “Bom Jardim”, foi
construída
em 1851 pelo fazendeiro Coronel
Peregrino José da América Pinheiro, fundador
da Fazenda Oriente, futuro Visconde de Ipiabas. Desde então a fazenda se tornou
uma das maiores produtoras de café da região, alcançando em 1882, na ocasião
da morte do Visconde,
os 182.000 pés de café.
Situada
entre as arredondadas colinas do Vale do Paraíba,
região onde melhor se adaptou a lavoura do café, a fazenda viveu o auge
da expansão do plantio do café do Brasil Imperial.
Com a morte da Viscondessa a Campos Elíseos coube
à filha Maria Peregrina, casada com Manoel Vieira da Cunha, Barão da Aliança. Desde
então a Campos Elíseos vive a decadência do Ciclo do Café. De 1900 até 1955 muitos foram
os proprietários, e na década
1960 a Campos Elíseos é adquirida pelo descendente direto do Barão da
Aliança, Doutor Marcos Vieira da Cunha.
Apaixonado
pela historia de sua família, trabalhou na recuperação arquitetônica e histórica
das fazendas Campos Elíseos, Santo Antonio e Guarita, dando nova vida e
recuperando o antigo esplendor.
Com a morte repentina do Dr. Marcos, a Campos
Elíseos conheceu outros anos de decadência,
juntamente com as outras fazendas históricas
da região.
A Campos Elíseos voltou hoje a ter vida, sendo adquirida em 2000, por uma
corajosa família Italiana apaixonada pelo Brasil, que a reformou totalmente
respeitando o estilo da época e continuando, a cada dia, no trabalho de
melhoramento da sede e das terras,
com o objetivo de ter uma fazenda produtiva e linda.


Associados
Instituto Preservale

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O café no Brasil: história de paixão
A história da vinda do café para o Brasil é envolta
em mistério e romance. Em 1727, o sargento-mor Francisco de Mello
Palheta teria recebido a missão oficial de trazer da Guiana Francesa
as tão preciosas mudas. Conta-se que os portugueses eram proibidos de receber a
planta. Palheta, porém, disposto a cumprir sua missão se aproximou intimamente
da esposa do governador de Caiena, capital do Suriname. Ela, tomada pela paixão,
ofereceu clandestinamente uma pequena muda do café Arábica que veio escondida
na bagagem do brasileiro.
Nos primeiros tempos o cafeeiro se desenvolvera apenas
nas províncias do norte do país, em pequenas plantações. O café chegou ao
Rio de Janeiro no início do século XIX, e foi plantado em chácaras na Tijuca,
Gávea, Andaraí e Jacarepaguá. Da cidade maravilhosa o café expandiu-se pela
Serra do Mar até atingir, em 1825, o Vale do Paraíba, alcançando logo depois
São Paulo e Minas Gerais e norte do Paraná. Uma curiosidade é que o café
tipo santos, muito conhecido no mundo, nada tem a ver, como muitos pensam, com a
cidade de Santos, porto exportador de café. Na verdade, a marca Santos deriva
de Alberto Santos Dumont, que além de ter sido um pioneiro da aviação, foi
também considerado "o rei do café".
Depois de avançar pelo Vale do Paraíba e chegando a
Campinas, o Brasil, em 1860, torna-se uma grande potência exportadora de café
com 26 milhões de pés plantados. O café torna-se o principal sustentáculo de
uma aristocracia rural tão opulenta quanto a dos senhores de engenho, composta
de ricos fazendeiros que passam a ser chamados de barões do café. O café também
traz progresso. O escoamento da safra era de fundamental importância, por isso,
em 1867, inaugurou-se a Santos - Jundiaí, que unia Santos,
principal porto de exportação de café, às zonas de produção. Outras
ferrovias surgiram como a Paulista, a Mogiana, a Sorocabana e a Noroeste, cujos
traçados orientaram a direção de novas lavouras; mais tarde os cafezais
atingiram também o norte do Paraná. Mas foi São Paulo que tornou-se a Metrópole
do café. O progresso atingiu também as cidades do interior, onde surgiram
bancos e casas bancárias. A cultura cafeeira atraiu grande número de
imigrantes, sobretudo italianos, que vieram em busca de novas perspectivas. Para
incentivar a produção e suprir o problema da mão-de-obra, com o fim da
escravidão, o governo incentivou a imigração, principalmente da Itália.
A quebra do setor cafeeiro no Brasil
Com a chegada da República, os coronéis do café, por
meio da chamada política do café-com-leite, passaram a dividir e alternar-se
com os mineiros na condução dos destinos do país. Porém, a crise de 29, com
a quebra da bolsa veio a afetar profundamente a cafeicultura. O financiamento
junto aos bancos estrangeiros é interrompido. O preço do café despenca
levando muitos fazendeiros à miséria e ao desespero. Milhares de sacas de café
estocadas foram queimadas. O excedente da produção também faz com que milhões
de pés de café sejam erradicados, na tentativa de estancar a continuada queda
de preços. Tem início a maior crise da história no setor cafeeiro.
Com a recuperação da economia Mundial, após o golpe
de 1929, o Sudeste do país volta a crescer, agora apoiado na cafeicultura e na
indústria, com expressão cada vez maior na economia local. Assim, o café
brasileiro vai gradualmente retomando sua importante posição na pauta de
exportações e o Brasil consegue manter-se como principal produtor de café do
mundo e segundo maior mercado consumidor.
Fonte: Pascoal, Luís Norberto. Aroma de Café -
Guia Prático para Apreciadores de Café. 1999.
ESCRAVIDÃO E EXCLUSÃO:
a dura sina do negro no Vale
do Paraíba
Hamilton R. Ferreira
O elemento negro, ao lado da
terra e do café, constitui-se num dos alicerces mais importantes de sustentação
econômica do Vale do Paraíba. Afina, desde as duas primeiras décadas do século
XIX, quando se deu a implantação da cafeicultura na região e após 1830
quando se tornou a atividade econômica dominante, verificamos o aumento
vertiginoso do emprego do braço escravo à medida que a lavoura ocupava os
morros do Vale. E mesmo em 1848, dois anos antes de se proibir o tráfico
negreiro, ainda tivemos o desembarque de 60.00 cativos !
Ao chegar da África, já
na condição de "coisa do senhor", o negro era integrado à
'civilização' através do batismo e do trabalho servil. Trabalho este que
podia ser desenvolvido na casa grande ou na lavoura. Mas escravo doméstico ou
escravo do eito, o certo que uma dura rotina de trabalho e sofrimento o
acompanhariam a partir dos 7 anos e se estenderiam por toda a sua vida.
Terminada a labuta diária,
que iniciava-se às 5 horas da manhã e encerrava-se às 17horas, os negros
eram recolhidos à senzala. Nessa construção térrea e retangular, em que
homens e mulheres ficavam separados, só existiam algumas camas de palha,
tamboretes para sentar e baús, onde cada escravo guardava as duas camisas e
duas calças ou saias, que recebia anualmente. Sua dieta diária era muito
pobre, geralmente composta de banana, feijão, mandioca, carne seca, angu e
abóbora.
Qualquer ato de desobediência
ou falha no cumprimento das tarefas era suficiente para que o proprietário
mandasse castigar o escravo. Mas, muitas vezes, os escravos reagiam contra os
maus tratos. Foi o que ocorreu em dezembro de 1862, na então Vila do Embaú,
quando o escravo Benedito pôs fofo na casa do seu senhor, Manoel Galvão de
Siqueira, e o matou a foiçadas quando ele saiu da casa em chamas. Benedito
foi preso e alegou que o patrão havia matado sua esposa barbaramente e tirado
com turquês os dentes dele e de seus companheiros por terem chupado cana sem
autorização. Ele foi condenado à forca, mas acabou morrendo na prisão.
O pior que nem mesmo com a
abolição em 1888, quando foram equiparados jurídico e politicamente aos
brancos, os negros não conquistaram o direito de serem cidadãos plenos, pois
o voto era censitário - somente os que possuíam uma certa renda anual podiam
votar e ser votados. E, ironia cruel, a Lei Áurea retirou do negro a sua
exclusividade como mão-de-obra, passando o mesmo a ter de concorrer no
mercado de trabalho braçal com o branco pobre e com o imigrante recém-chegado.
Sem qualificações profissionais distintas da labuta diária da terra,
pretendendo assumir plenamente a sua condição de homem livre e se recusando
a aceitar trabalhos sob supervisão direta de outros, que lhe lembrava o
trabalho escravo, o negro foi taxado de incapaz e os fazendeiros instalaram
uma nova configuração de cor em relação ao trabalho: o negro era associado
ao trabalho escravo e o imigrante ao trabalho livre e assalariado. A exclusão
social era legado dos negros após anos de sofrimento e árduo trabalho.
Eliminar essa dívida social é um imperativo que impões a todos.
Hamilton R. Ferreira -
Coordenador dos estágios do Curso de História e Geografia do Centro
Unisal-Lorena. Professor de História. Consultor do Programa Caminhos da História
da TV Vanguarda Paulista.

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